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YSL e a exposição em Paris!

26 mar

Yves Henri Donat Mathieu-Saint Laurent, um dos maiores nomes da história da moda. Yves que aos 17 saiu da casa dos pais para trabalhar com Christian Dior, estava com 21 quando conheceu Pierre Bergé, que viria a ser seu companheiro por toda a vida.
Em 1959, Saint Laurent criou sua primeira polêmica, ao colocar na clássica passarela de Dior a linha batizada como Trapézio, apropriada para jovens, com seus ombros estreitos, corpete justo e saia evasê. Em 1959, recriou a saia entravada de Paul Poiret, em uma versão mais curta. Nas coleções seguintes, colocou em cena jaquetas de couro preto, suéteres de gola rolê e saias debruadas com pele na barra. Foi também o primeiro estilista do mundo a usar manequins negras em desfiles de moda.
Em 1960, foi convocado para lutar na guerra da Argélia, onde foi maltratado por colegas soldados, até ser mandado á um hospital psiquiátrico, devido ao grave estado de saúde mental.
Quando voltou a ativa, resolveu fundar a própria grife, que levaria seu nome. São mais de 40 anos de carreira, mais de 70 coleções de alta-costura e uma infinidade de produtos que levam sua marca e são vendidos em toda parte do mundo.
No começo do mês de janeiro de 2002, em que num discurso emocionado Saint Laurent declarou: “Digo a mim mesmo que criei o guarda-roupa da mulher contemporânea, que participei da transformação de minha época”. Ele terminou sua fala afirmando: “Marcel Proust me ensinou que a magnífica família dos nervosos é o sal da terra. Sem saber, eu fiz parte dessa família. É a minha. Eu não escolhi essa linha fatal, contudo foi graças a ela que eu me elevei ao céu da criação, que eu me achei, que eu compreendi que o encontro mais importante da minha vida deveria ser comigo mesmo”.
Em 22 de janeiro do mesmo ano, o estilista se despedia oficialmente das passarelas com o desfile para dois mil convidados no Centre Georges Pompidou, que trazia uma retrospectiva de todas suas criações, ao longo de seus quarenta anos de carreira.
Yves que nasceu em Oran, em 1 de Agosto de 1936, faleceu em Paris, em 1 de Junho de 2008, já aposentado das passarelas.

Está sendo realizada no Petit Palais, em Paris, uma exposição em homenagem à vida e à obra de Yves Saint Laurent. Com uma seleção de 307 modelos de alta costura e prêt-à-porter, fotografias, desenhos e filmes, a mostra conta a história do costureiro desde o início de sua carreira em 1958, quando era diretor de Dior e criou a coleção “Trapézio”. Foram analisados mais de 5 mil trajes, selecionaram 1000, até por fim escolherem os 307.
E se você já leu até aqui, é porque assim como eu também se enteressa pela história de Saint Laurent. Confere agora algumas imagens da exposição…


O nascimento de um costureiro revolucionário
“Qual o momento mais feliz de sua vida? Ter encontrado Christian Dior”.
(Yves Saint Laurent)
Em 1957, quando Yves assumiu a maison Dior, logo após a morte de Christian Dior, com quem trabalhou desde 1955.
O estilista trouxe modernidade a marca. A coleção ”Trapézio” em 1958 o coroou como “herói nacional francês”.


Estúdio mental/estúdio real
“No início é o desenho. Ele é o nosso verbo. Ele é que nos guia, nos dá uma referência. Em seguida, o tecido de algodão é uma tela, que permite julgar, continuar, interromper. A próxima etapa é a essencial, na qual o tecido cria a peça. Você corre risco, você ousa. E, finalmente, vem o modelo que desafia seus primeiros passos antes de se juntar a outros e formar a coleção” (YSL).
O Estúdio mental, era o lugar onde Yves permanecia imerso em sua escuridão interna, livre para criar, buscar referências, pensar e analisar sua criação.
Já o Estúdio real, era como Yves chamava o estúdio onde suas criações eram confeccionadas.


Evolução de gêneros
Costuma-se dizer que Chanel libertou as mulheres. Anos mais tarde, entretanto, YSL lhes deu poder, com terninhos, jaqueta safári, blusa normanda e smoking. Ele trabalhou socialmente pela igualdade dos sexos e pelo reconhecimento de uma mulher moderna, que não é um objeto, mas participa da vida do seu tempo e exibe suas certezas.
O estilista criou o novo gênero entre o feminino e o masculino. Propondo uma expressão livre.


Yves Saint Laurent e as mulheres
“Meu sonho é dar às mulheres a base de um guarda-roupa clássico, que foge da moda do momento e permite maior confiança” (YSL).
As mulheres de Yves são mulheres reais. Cuidam de si mesma, de sua casa e do seu trabalho, garante cada vez mais seu lugar na sociedade, lutando por isso. Seja ela saida de onde for, castelos ou subúrbios.
Em 1966, lança “Saint Laurent rive gauche”, loja que lança o prêt-à-porter de luxo, faz sucesso e abre caminho para outras marcas globais. O estilo de Yves Saint Laurent torna-se acessível ao grande público e se impõe no mundo através de uma rede de lojas.


O filme “Belle de Jour” e Catherine Deneuve
Nessa parte da exposição, diversos vestidos e as principais peças do guarda-roupa de Catherine Deneuve, além do vestido de pólvora negra e cetim marfim criado para “Belle de Jour”, de 1967 (foto), e o vestido de gala “Tango” (1997), em cetim crepe vermelho.
Yves não teve medo de comprometer sua imagem no figurino do filme (em uma época em que os estilista cuidavam para não comprometer a imagem da própria marca), onde Catherine interpretava uma protituta. Um dos vestidos era inteiramente fechado com velcro, só para provocar um grande ruído quando arrancado com violência em uma cena de estupro.


Yves Saint Laurent para Jeanloup Sieff
Em 1971, o estilista posa nu para as lentes de Jeanloup Sieff, com o objetivo de estampar o anúncio do seu 1º perfume masculino, o Rive Gauche.
Algumas imagem dessa sessão, estam sendo expostas pelo primeira vez em público.


A essência do escândalo
Em 1971, a marca apresenta uma coleção chamada “Scandale”, com peças inspiradas nos anos 1940. Nos ateliês, muitos ficaram chocados. Não somente pelo uso das lembranças da guerra e da ocupação de Paris, mas, sobretudo, porque a figura imaginada pelo costureiro é o cruzamento insólito da mulher chique da Avenida Montaigne e da mulher mundana do Bois de Boulogne.
A impresa e a critica, condena violentamente a coleção do estilista. Total equívoco, pois mulheres não hesitaram em adotar essa moda nas ruas.


Contos de exotismos
“Eu exercito minha imaginação sobre países que não conheço. Se eu ler um livro sobre a Índia com fotos ou qualquer lugar onde eu não tenha ido, minha imaginação me leva. É assim que eu faço minhas melhores viagens” (YSL).
Yves era mestre em viajar por diferentes lugares, em seu imaginário. No seu Estúdio Mental, cercado de livros, pinturas e sua coleção de obras de arte.


Diálogo com artistas e escritores
“Mondrian é pureza e não pode ir mais além na pintura. A obra-prima do século 20 é um Mondrian” (YSL)
Em 1965, o estilista lança uma coleção inspirada pelo artista Mondrian. As revistas do mundo inteiro afirmam que suas criações rompem hierarquias entre os gêneros artísticos. O designer desenvolve de forma regular uma ponte com o mundo da arte e suas famosas criações. Utiliza Mondrian, Wesselman Poliakoff, Van Gogh, Matisse, Picasso, Braque, Léger, Apollinaire, Aragon, Cocteau, Lalanne, etc. Configura a mulher moderna com alma artística, como um digno grande amante das arte que era.


O último baile
Yves era um arquiteto do cotidiano, sem deixar de ser um mestre da noite. Ele adora a atmosfera das festas e a noite como um espaço fora do tempo e da realidade.
O espaço dedica-se às grandes extravagâncias do costureiro em vestidos de plumas, veludo, crepes e seda.


A estrela negra
“Para a mulher, o smoking é uma peça indispensável, em que ela se sentirá sempre na moda. Afinal, é uma peça de estilo e não de moda. A moda passa, e o estilo permanece” (YSL).
Sempre igual, mas nunca o mesmo: centenas de smokings surgiram da imaginação do estilista, devido à sua vontade de afirmar a legitimidade de uma roupa que ele criou e conquistou o mundo.
O que hoje é comum entre muitas mulheres, foi uma verdadeira revolução para a época, a mulher era proibida de entrar num restaurante ou num hotel. O smoking, usado até hoje, foi uma provocação sexual, dirigido à mulher que queria ter um outro papel.
Os ternos, ou terninhos, como ficaram conhecidos em todo o mundo – e, certamente, as mulheres devem a Saint Laurent o fato de, hoje em dia, a calça comprida fazer parte com naturalidade de seu guarda-roupa.
“A roupa mais bonita para vestir uma mulher são os braços do homem que ela ama. Para as que não tiveram essa felicidade, eu estou aqui.”
(Yves Saint Laurent)

A liberdade proposta por Chanel, estava definitivamente afirmada por Yves Saint Laurent.


A cor de Yves Saint Laurent
“Eu amo a magia da cor de ouro, para refletir uma mulher. Essa é a cor do sol. Eu gosto do vermelho, agressivo e selvagem. E da cor amarelada do deserto” (YSL).
Na última parte da exposição, os visitantes passam pelo mundo das cores do francês. Vestidos em musseline drapeado, de 2002, além de peças mais antigas, dançam suspensos no espaço, rodeados por paredes revestidas com placas de amostras de tecidos.


O talismã de YSL
No final, em uma grande perspectiva, brilha o broche “Coração”, talismã que Yves Saint Laurent conservava preciosamente e colocava, ele mesmo, em uma das peças de cada um de seus desfiles. Atualmente, a biju é símbolo da marca, como um amuleto de sorte.

Então, é isso. Espero que tenha valido a pena para vocês, assim como valeu pra mim, conhecer um pouco mais sobre um dos mais gêniais estilista da história da moda. Um revolucionário, como poucos!
xoxo :*

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